quarta-feira, 13 de julho de 2022

Dia Mundial do Rock

Hoje eu fiz uma seleção dos textos que realmente quero deixar publicado aqui. Acabei excluindo três textos, dentre eles dois, que eram os únicos publicados nesse ano. Mas tudo bem. Eu precisei definir o que eu realmente quero deixar publicado aqui. E quero que sejam ideias sociais, humanas e políticas. Percebi que não me sinto bem com textos que adentram o lado pessoal. Porque esses fatos eu tenho que contar pra minha psicóloga não pra todo mundo. Porém, claro que uma hora ou outra sempre escapam coisas porque eu não sou uma máquina. Estou esperando o desfecho de alguns assuntos relacionados ao meu filho e ao meu trabalho para somente depois discorrer sobre eles. É preciso ter muita paciência. Enquanto isso eu vou buscando resignificar meu casamento, a prática da minha profissão, minha relação com meus filhos. Mas as vezes eu me sinto lutando sozinha. Com exceção do meu filho que é muito pequeno e dependente. Mas saibam que estou ávida por falar dos preconceitos que circundam o diagnóstico de uma criança. A confusão na cabeça da gente sobre a origem genetica da condição da criança. A tentativa de provar para si mesma que isso não importa quando na verdade importa sim. Importa muito pra mim. Mas aí eu percebo que

Aniversário de casamento - 13/07/2022- Dia mundial do Rock

só eu estou disposta a fazer esse movimento. E tenho que abandonar o controle sobre a vida do outro. Constantemente eu tenho feito esse exercício e sinto que vou ter que fazer isso para o resto da vida se eu não quiser tornar a minha vida e a dos outros um inferno. Hoje é o dia do nosso aniversário de casamento, estamos conpletando 10 anos de casados porém 11 anos e meio juntos. E hoje também é o dia mundial do rock. Foi uma feliz coincidência para nós porque é o único estilo musical que o Lucio gosta e ouve. E eu também gosto mas eu gosto mais de MPB desde muito jovem. 

domingo, 13 de junho de 2021

A ridicularização do feminino no governo Bolsonaro

A figura chocante da pastora ultra conservadora que se tornou ministra da família, ministério criado no governo Bolsonaro foi a primeira demonstração de que tipo de representatividade feminina o governo prioriza. Mulheres inteligentes, empoderadas, que gozam dos mesmos direitos que os homens e tem ideias progressistas? Jamais!

O discurso pitoresco e retrógrado daquela que foi chamada para ser secretaria da cultura, órgão também criado pelo presidente depois de cancelar o ministério da cultura, uma espécie de relativização da representatividade da cultura no nosso país, cargo esse que teve a duração de 20 dias,  pois apesar da visão de mundo distorcida da realidade artística no país, a nova secretária pretendia trabalhar. E isso é uma coisa muito grave nesse governo, ninguém pode trabalhar de verdade em prol do que se representa, todos precisam trabalhar contra o que se está representando, esse é o fio da meada. Motivo pelo qual a ministra da família ainda continua no cargo. 

Não satisfeito, após o surgimento da pandemia eis que Bolsonaro vislumbra a figura perfeita para representar a medicina dentro do ministério da saúde. Uma funcionária do ministério que começou a falar oficialmente pelo ministério afirmando a eficácia do tratamento precoce, e que recentemente foi interrogada na CPI da COVID no senado, não sabendo responder qual a diferença entre um vírus e um protozoário.

Mas o quê essas mulheres tem em comum? A aparência um tanto exótica? A falta de conhecimento de causa para exercer funções governamentais? O discurso que oscila entre a distorção da realidade e a completa falta de noção da mesma?

Independente disso, uma coisa fica bem clara na escolha dessas representatividades femininas no governo bolsonaro, a evidente tentativa de redicularização do feminino perante a sociedade machista e misógina que ele pensa existir ou pelo menos está tentando construir. 

Felizmente o show de horrores desse governo está com os dias contados, e nem ele nem ninguém pode barrar o progresso das políticas públicas de igualdade de direitos entre homens e mulheres. No congresso nacional existem mulheres brilhantes que tem lutado bravamente fazendo oposição as propostas de leis absurdas desse governo, como o estatuto da gestante. 

E embora estejamos longe do ideal pois temos uma dívida para saldar, uma reparação que até hoje não foi feita, o fato de a única mulher eleita presidenta desse país ter sofrido impeachment pela maioria machista do senado, incluindo mulheres parlamentares, nunca perderemos a esperança, pois da mesma forma que a morte de Marielle Franco ajudou a eleger tantas mulheres deputadas e vereadoras no Rio de Janeiro, podemos afirmar que é só o começo para o resto do Brasil. 




segunda-feira, 17 de maio de 2021

Os devaneios nossos de cada dia

     Escrevi esse texto há uns dois ou três anos atrás, hoje penso diferente em algumas coisas mais achei interessante publicar. Não quero ser mais aquela pessoa que “joga tudo fora”. Hoje eu acolho todas as partes de mim, leio com carinho a forma como eu via o mundo e me alegro por ter avançado no meu estágio de consciência. Segue o texto:

“Conhecendo como se deu o processo de formação de quem eu sou, eu consigo compreender também um pouco de como são as outras pessoas e de como todos nós formamos uma sociedade fria e carente, a mesma sociedade que me tirou a capacidade de expressar meus sentimentos, é essa que está formando cidadãos que nem sabem o que é cidadania, pessoas que não sabem o que é amor e que respiram dogmas, regras inquestionáveis, as quais só servem para distanciar uns aos outros.

É uma sociedade que se arrasta há vários séculos tentando provar algo que não precisa ser provado, o valor do ser humano, e cometendo tantos enganos, guerras, injustiças sociais e preconceitos, ela segue vazia e os mais jovens sem rumo se entregam ao mundo paralelo e fantasioso das drogas. E ainda outros, sem saber o que fazer com suas dores criam mecanismos para sobreviver nesse mundo onde cada um tem a sua verdade, mas algumas pessoas preferem acreditar que fazem parte de um grupo de escolhidos talvez porque seja mais fácil crer em algo consolidado do que construir aquilo que realmente faz sentido para si. Eu sei que dá trabalho, mas é importante não desistir.

 "A verdade liberta", sim, quem nunca experimentou a sensação de saber algo que facilitou sua vida? Acontece que todo conhecimento do mundo parece não ser suficiente para nos mostrar a verdade, será que se quer estamos preparados para conhecer esta verdade? Creio que não. Isso porque ainda estamos na fase de aprendermos a nos relacionar uns com os outros, talvez seja a fase mais importante da nossa evolução, talvez depois que vencermos essa etapa todas as outras terão apenas que fluir. E sim, é necessário alcançar a perfeição, porém ainda estamos longe de sermos perfeitos. Enquanto não existir transparência a sociedade não avançará, por isso a importância de conhecer a si mesmo para poder compreender a vida, as pessoas, o mundo.

Outro dia senti vontade de expressar minha opinião sobre o assunto, “Últimos dias” em uma página na internet, e então eu escrevi que embora eu ainda não tenha feito um estudo aprofundado sobre o assunto, tenho pautado meus conhecimentos sempre no fato de que não existem eventos mágicos, tudo pode ser explicado e o que ainda não tem explicação um dia terá, dentro da nossa capacidade de entendimento. Creio que a Terra obedecerá a seus limites naturais, mas irá chegar um momento que não haverá condições para vida humana aqui e nós continuaremos evoluindo em outros planos e planetas. A Terra terá seu fim quando o Sol tiver seu fim. No entanto, não é um fim real porque no universo todo fim significa um começo. Imagino que haverá muito sofrimento para os últimos a desencarnarem quando a Terra estiver superaquecida. Realmente o que vivemos se assemelha com a descrição de Jesus Cristo dos últimos dias, porque quanto mais a humanidade avança em conhecimento e tecnologia mais nós experimentamos a ansiedade de poder acompanhar esse momento. É uma evolução interessante quando paramos para pensar em tudo que a sociedade viveu e o que ela foi capaz de fazer em apenas um século, o século XX.

Eu nunca me senti a vontade para expor meus pensamentos porque sempre achei que poderia mudar de ideia e aquilo se tornar obsoleto, tanto que quando realmente queria expor não conseguia. Mas depois que descobri o que me impedia eu resolvi mudar isso e entre outras coisas gosto de demonstrar que para mim a vida também tem seu lado bonito. Na verdade o lado belo da vida era a única coisa que deveria ser. Uma das coisas que me faz muito feliz é saber que existem pessoas maravilhosas que fazem parte de quem eu sou, essas pessoas estão vivas dentro de mim e imprimem imagens vivas na minha consciência existencial. E eu gosto de ver minhas amigas bem, alguma coisa dentro de mim sorrir de ver minhas amigas lúcidas. Por outro lado uma luz se apaga por não ter notícias de algumas amigas e também porque alguma coisa me diz que nem tudo está bem com elas. E não me conforta saber que no final todos estamos destinados a felicidade. Não me conforta saber que o caminho as vezes pode ser tão tortuoso e sombrio.

Hoje escrevi um recado para o escritor Augusto Cury no site dele, eu falei o seguinte:“Sempre que estou triste lembro-me das suas palavras para ver se me sinto melhor. Agora mesmo lembrei-me de ler novamente o livro Superando o cárcere da emoção, pois não estou me sentindo muito bem. Sou uma pessoa que se cansa muito rápido das coisas e eu fico muito triste com isso. Fico feliz por você existir. Imagino que receba muitas bênçãos porque você tem muito crédito com Deus por ajudar tantas pessoas.”"

domingo, 16 de maio de 2021

Sobre a impermanência das coisas

 Durante toda a minha vida eu busquei ser uma pessoa melhor. Cometi muito erros, mas a maioria só prejudicou a mim mesmo. Lutei muito por pessoas que julgava valer a pena. Desisti de algumas. Minha ambição não era grande, eu trabalhava para pagar aluguel de onde eu morava com a minha filha, pagar a escola dela e o nosso plano de saúde. Nos anos 2000 eu pelo menos não me preocupava tanto com o preço dos alimentos, como acontece hoje em dia, com todo mundo com certeza, e não nos faltava nada. Enfim a minha causa era essa ter uma religião e sustentar minha filha. Ao longo do tempo minha filha cresceu e minhas causas foram se expandindo, primeiro meio ambiente, trabalhei muito na escola essa temática, inclusive com trabalhos práticos, depois política, comecei a compreender que tudo na nossa vida era decidido por ela e que eu não podia permanecer alheia. Meu campo de luta? As redes sociais. Mas sempre buscando novos saberes espirituais. Minha alma nunca estava saciada. Por fim o feminismo, diante de tudo que eu vivi era uma questão de lógica para mim, ser feminista. Passei a me questionar profundamente se eu realmente apoiava todas as causas feministas. E para que eu fizesse isso eu tive que questionar profundamente a origem das minhas crenças, mais do que isso, eu tive mesmo que questionar entendimentos que dava a impressão de já terem nascido comigo. Claro que nada disso foi movimentado dentro de mim do nada, uma série de acontecimentos envolvendo a minha filha vieram para expandir ainda mais minha compreensão da realidade que me circundava. Então, depois de uma longa discussão comigo mesma cheguei a conclusão que sim, eu apoiava todas as causas feministas. E assim como aconteceu com outras coisas na minha vida, quando eu chego em certo ponto que aquele assunto não tem mais nada a me agregar, eu deixo ele de lado. E assim foi também com as religiões pelas quais passei. Por uma questão de criação mesmo eu não consegui expandir uma característica da minha personalidade que aflorou na adolescência: uma atração irresistivel pela fantasia, coisas mágicas, exotericas. O universo infinito da espiritualidade e da espistemologia universal, as ciências ocultas que ninguém dá crédito, a não ser pessoas como eu. Com os mesmos anseios e inquietação pelas coisas que transcende o material. Tenho certeza que ao longo dos meus 37 anos devo ter espantado uma pessoa ou outra diante do meu desapego pelas coisas terrenas. Foi quando eu casei pela segunda vez que o desejo de possibilitar conforto aos nossos filhos ficou mais aflorado em mim. Mas nunca por mim. Sempre por elas, pelas pessoas que eu amo. Precisou eu entrar em conflito com essas mesmas pessoas para que eu entendesse o grito da minha alma para olhar para mim mesma. Com caridade, com complacência, sem cobranças, sem a pretensão da perfeição. Entendi que eu não aguentava mais me encaixar em determinados padrões para ser aceita e ainda assim não ser. Reconhecer que sempre haverá pessoas que me amarão pelo que sou e outras que me odiarão pelo mesmo motivo. Essa parte de ter pessoas que não gostavam de mim me doeu muito durante anos. Até eu aceitar que eu também não gosto de um monte de gente. Não desejo mal nenhum mas não gosto. Não sou a mulher mais linda, a melhor mãe, a esposa exemplar, e não menos importante a melhor amiga de ninguém. Primeiro porque eu nunca exigi exclusividade nas minhas amizades. Mas até das coisas que eu exigia, eu não recebi, o que tocou fundo no meu ego e me trouxe profundo sofrimento, e crescimento, e força. Não posso dizer que tenho perfeito entendimento da minha vida, de todos os porquês. E me sinto até feliz por isso. É nisso que reside a emoção de viver. 


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dia da CONSCIÊNCIA negra

O dia da consciência negra não é para todos. É somente para quem tem CONSCIÊNCIA. Se a pessoa não tem consciência então deixa ela seguir o seu caminho. Para algumas pessoas é muito fácil despertar, basta tomar conhecimento de uma história, de uma lei, buscar dentro de si ou fora o porquê de tal acontecimento, e pronto. Despertou. Para outras pessoas no entanto, não é tão simples assim abrir mão de sua "opinião formada sobre tudo". Para essas pessoas ninguém nunca está a altura para fazê-la mudar de opinião, aquele é comunista, aquela é mulher, a outra uma pirralha, aquele outro é negro, tem uma moral duvidosa, não é religioso. Não vai faltar motivos para alguém que não quer entender alguma coisa. Sabe de quê essas pessoas mais gostam? De quem concordam com elas. Elas gostam de pessoas que pensam como elas ou que deprecie mais ainda aqueles que já foram rotulados por elas. Ou seja, essas pessoas vão amar pessoas radicais seguindo para ultra-radicais e depois vai chamar a si mesma e os seus iguais de conservadores e tradicionais. Não percebem que são elas quem atrasam o país. Graças ao pensamento retrógrado dessas pessoas que o país não progride, porque elas estão sempre lá para barrar uma lei progressista ou para apoiar uma lei truculenta. Quanto mais atrapalhada for a liderança dessas pessoas mais elas irão aplaudir, porque é semelhante a elas. Imagina sair de casa e não reconhecer mais o mundo? É isso que elas pensam que vai acontecer se reconhecer que de repente uma frase que ela fala é racista mesmo. Reconhecer que a população carcerária é majoritariamente negra até vai mas e a falta de oportunidade que essa população não teve? Isso é conversa pra boi dormir. Reconhecer que quem nasce branco tem mais privilégios? "Imagina a vida foi dura comigo também!" "Cada qual com seus cada quais". Se colocar Deus no assunto então, aí fica mais fácil ainda justificar que "foi Deus quem quis assim". Como é fácil a vida de quem entrega tudo para Deus. Esse não precisa fazer nada, não precisa mudar seu voto para incluir mulheres, e pessoas pretas, não precisa parar de compartilhar as publicações dos familiares e amigos sem ler, não precisa parar para entender a dinâmica política e econômica do mundo... e por aí vai. O que estou dizendo é que quem quer realmente entender, entende. Quem quer mudar, muda. Quem reconhece que não sabe, pergunta. O nosso foco precisa ser os jovens. Vocês já viram como é triste uma criança ou um jovem apoiando um político que defende política ultra conservadora?  Uma pessoa que tão jovem recebeu uma educação machista, racista e preconceituosa, pode se tornar um adulto feliz? Quais as chances dessa pessoa ser constantemente confrontada no seu preconceito e achar que o mundo está contra ela? Depois ela vai achar que ela não é desse mundo. Quantas pessoas você conhece que dizem isso? Essas pessoas não estão dispostas a mudar para entender e acolher as outras. Elas querem ser entendidas. E aqui chegamos no grande paradoxo que permeia a geração Z e alpha. Esses jovens estão crescendo e observando um mundo diferente do que o mundo que seus pais pintaram. E estão entrando em choque com suas famílias. Essas famílias precisam acolher esses jovens e aprender com eles. 

domingo, 15 de novembro de 2020

GOTHAN CITY É AQUI

O título por si já falaria tudo. As eleições municipais no Brasil revelaram que ainda resta muito do patriarcalismo arraigado na nossa cultura. Algumas vitórias tivemos com a eleição de mulheres, inclusive transgênero para vereadoras mas para prefeitas mesmo... deixou muito a desejar. Demonstrando mais uma vez que a sociedade ainda não enxerga as mulheres ocupando esses espaços do poder. Boa parte do Brasil ainda acredita que o impeachment da presidente Dilma foi legítimo, não concebem a ideia de ela ter sido uma vítima do patriarcado, traída pelo próprio vice-presidente a quem confiou esse cargo, atacada por abutres de todos os partidos ávidos por uma fatia do bolo da Petrobrás e ela, de mãos atadas. Denunciar a quem, se o golpe era com "o Supremo com tudo"? Dilma saiu, e esperou que a história lhe fizesse justiça, o que não tardou. Logo veríamos o herói que a população elegeu como juiz aceitar um cargo político no governo pós-Dilma que ele ajudou a eleger. Em seguida vimos que toda a sua investigação para condenar o ex-presidente Lula estava comprometida por falsas delações. No documentário Democracia em Vertigem nós podemos ver quanto de sua ideologia o Partido dos Trabalhadores - PT sacrificou para conquistar o poder. E depois o quanto a elite oligárquica do país conspirou para não apenas derrubá-lo mas também para difama-lo ao ponto de deixa-lo desacreditado. E junto com ele foi também a imagem da esquerda. Nas eleições de hoje vimos a ascensão dos partidos de centro para as prefeituras, sim, a esquerda voltou ao seu lugar de marginalidade da época da Ditadura Militar. Quando o sistema está corrompido o trabalho para desembaçar a fumaça da mentira não é fácil. Assim como a lendária Gotham City do mundo fantástico da DC nós temos aqui muitos anti-heróis sendo ovacionados e muitos heróis sendo esquecidos. Recentemente fomos brindados com um caso tão pitoresco que não seria digno da realidade se de fato não fosse realidade: o caso Mariana Ferrer. Após o magistrado absolver o estuprador, um famoso jornalista veio a público fazer declarações misóginas e sendo posteriormente demitido de uma emissora de rádio. Não obstante o jornalista trabalhava em outro jornal patrocinado pela Adidas internacional, que suspendeu o patrocínio caso o mesmo jornalista não fosse demitido. O que vemos aqui é o Estado se omitindo do seu papel de garantir direitos e punir os crimes enquanto empresas capitalistas tomam a frente e se mostram mais "capazes" de fazer justiça do que o próprio Estado. Mas diferente de Gotham não vai aparecer um herói que decide dedicar toda a sua fortuna para restaurar a confiança no Sistema a troco de nada e tão semelhante quanto, continua sendo o capital a escolher quem é herói e quem não é. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sexta-Feira 13 e as mulheres bruxas

 Se tornou muito comum grupos de mulheres se auto intitularem bruxas nos tempos atuais. Essa postura aparece muito mais como uma provocação a igreja de modo geral mas especificamente à igreja católica por criar essa denominação a mulheres que utilizavam métodos naturais de curas. Esses métodos foram passados de geração em geração justamente por serem as mulheres as responsáveis pelo cuidado durante séculos. Porém Simone de Beauvoir esclarece (entrevista disponível no youtube) que as mulheres foram julgadas bruxas pelo patriarcado na figura da igreja que só possuía membros do sexo masculino, como até hoje em sua liderança, para que as mulheres não se apropriassem desse saber, no caso A medicina. E assim aconteceu durante séculos, a medicina sendo praticada e aceita apenas por pessoas do sexo masculino. Apenas no século XX paulatinamente as universidades foram abrindo uma espécie de cotas para mulheres que era inclusive vista com maus olhos por parte da sociedade. Muitos grupos de mulheres para fazer o resgate desse saber sentem que precisam regressar as suas raízes praticando rituais que remetem a mulher selvagem. Sendo a mulher selvagem justamente um arquétipo presente no inconsciente feminino de acordo com Clarissa Pinkola Estés


autora do livro Mulheres que correm com lobos, esses grupos ou círculos de mulheres visam resgatar não apenas a capacidade da mulher de se defender mas de se colocar diante do mundo. Particularmente eu acredito que a mulher perdeu a noção de qual é seu lugar na sociedade. Mesmo quando ela ocupa um papel de liderança em algum lugar na sua vida ela precisa se submeter. Para que você entenda o que estou falando, basta inverter os papéis. Mesmo que um homem ocupe um lugar de liderança seja no trabalho ou na igreja. Perante a sociedade ele continua sendo uma liderança, quando chega em casa diante da família e diante da comunidade em que vive. Será que a mulher feminista persegue esse estereótipo do homem líder? Não, a mulher feminista luta por direitos iguais. No caso em questão não seria a mulher a ocupar todos os cargos de liderança mas o homem a deixar o seu cargo de liderança no seu trabalho e voltar para casa como homem e pai ou filho. Bem como reconhecer sua igualdade em relação a mulher inclusive criando oportunidades para que ela também chegue na liderança no seu local de trabalho, igreja e comunidade. Desse ponto de vista, fica claro porque as bruxas do seculo XXI se dizem netas e filhas de bruxas e continuam combatendo a igreja. Porque muito do papel atribuído a mulher é proveniente de dogmas religiosos. No entanto, de nada adianta uma mulher participar de grupos e círculos de mulheres se ela não fizer nenhuma mudança na sua forma de se relacionar em sociedade, na educação de seus filhos e filhas, promovendo o conhecimento e libertação.