O dia da consciência negra não é para todos. É somente para quem tem CONSCIÊNCIA. Se a pessoa não tem consciência então deixa ela seguir o seu caminho. Para algumas pessoas é muito fácil despertar, basta tomar conhecimento de uma história, de uma lei, buscar dentro de si ou fora o porquê de tal acontecimento, e pronto. Despertou. Para outras pessoas no entanto, não é tão simples assim abrir mão de sua "opinião formada sobre tudo". Para essas pessoas ninguém nunca está a altura para fazê-la mudar de opinião, aquele é comunista, aquela é mulher, a outra uma pirralha, aquele outro é negro, tem uma moral duvidosa, não é religioso. Não vai faltar motivos para alguém que não quer entender alguma coisa. Sabe de quê essas pessoas mais gostam? De quem concordam com elas. Elas gostam de pessoas que pensam como elas ou que deprecie mais ainda aqueles que já foram rotulados por elas. Ou seja, essas pessoas vão amar pessoas radicais seguindo para ultra-radicais e depois vai chamar a si mesma e os seus iguais de conservadores e tradicionais. Não percebem que são elas quem atrasam o país. Graças ao pensamento retrógrado dessas pessoas que o país não progride, porque elas estão sempre lá para barrar uma lei progressista ou para apoiar uma lei truculenta. Quanto mais atrapalhada for a liderança dessas pessoas mais elas irão aplaudir, porque é semelhante a elas. Imagina sair de casa e não reconhecer mais o mundo? É isso que elas pensam que vai acontecer se reconhecer que de repente uma frase que ela fala é racista mesmo. Reconhecer que a população carcerária é majoritariamente negra até vai mas e a falta de oportunidade que essa população não teve? Isso é conversa pra boi dormir. Reconhecer que quem nasce branco tem mais privilégios? "Imagina a vida foi dura comigo também!" "Cada qual com seus cada quais". Se colocar Deus no assunto então, aí fica mais fácil ainda justificar que "foi Deus quem quis assim". Como é fácil a vida de quem entrega tudo para Deus. Esse não precisa fazer nada, não precisa mudar seu voto para incluir mulheres, e pessoas pretas, não precisa parar de compartilhar as publicações dos familiares e amigos sem ler, não precisa parar para entender a dinâmica política e econômica do mundo... e por aí vai. O que estou dizendo é que quem quer realmente entender, entende. Quem quer mudar, muda. Quem reconhece que não sabe, pergunta. O nosso foco precisa ser os jovens. Vocês já viram como é triste uma criança ou um jovem apoiando um político que defende política ultra conservadora? Uma pessoa que tão jovem recebeu uma educação machista, racista e preconceituosa, pode se tornar um adulto feliz? Quais as chances dessa pessoa ser constantemente confrontada no seu preconceito e achar que o mundo está contra ela? Depois ela vai achar que ela não é desse mundo. Quantas pessoas você conhece que dizem isso? Essas pessoas não estão dispostas a mudar para entender e acolher as outras. Elas querem ser entendidas. E aqui chegamos no grande paradoxo que permeia a geração Z e alpha. Esses jovens estão crescendo e observando um mundo diferente do que o mundo que seus pais pintaram. E estão entrando em choque com suas famílias. Essas famílias precisam acolher esses jovens e aprender com eles.
Trata-se de um lugar de fala, seja ele desabafo, reivindicações, declarações de amor, repúdio, tudo que está presente na alma da mulher contemporânea.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
domingo, 15 de novembro de 2020
GOTHAN CITY É AQUI
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Sexta-Feira 13 e as mulheres bruxas
Se tornou muito comum grupos de mulheres se auto intitularem bruxas nos tempos atuais. Essa postura aparece muito mais como uma provocação a igreja de modo geral mas especificamente à igreja católica por criar essa denominação a mulheres que utilizavam métodos naturais de curas. Esses métodos foram passados de geração em geração justamente por serem as mulheres as responsáveis pelo cuidado durante séculos. Porém Simone de Beauvoir esclarece (entrevista disponível no youtube) que as mulheres foram julgadas bruxas pelo patriarcado na figura da igreja que só possuía membros do sexo masculino, como até hoje em sua liderança, para que as mulheres não se apropriassem desse saber, no caso A medicina. E assim aconteceu durante séculos, a medicina sendo praticada e aceita apenas por pessoas do sexo masculino. Apenas no século XX paulatinamente as universidades foram abrindo uma espécie de cotas para mulheres que era inclusive vista com maus olhos por parte da sociedade. Muitos grupos de mulheres para fazer o resgate desse saber sentem que precisam regressar as suas raízes praticando rituais que remetem a mulher selvagem. Sendo a mulher selvagem justamente um arquétipo presente no inconsciente feminino de acordo com Clarissa Pinkola Estés
autora do livro Mulheres que correm com lobos, esses grupos ou círculos de mulheres visam resgatar não apenas a capacidade da mulher de se defender mas de se colocar diante do mundo. Particularmente eu acredito que a mulher perdeu a noção de qual é seu lugar na sociedade. Mesmo quando ela ocupa um papel de liderança em algum lugar na sua vida ela precisa se submeter. Para que você entenda o que estou falando, basta inverter os papéis. Mesmo que um homem ocupe um lugar de liderança seja no trabalho ou na igreja. Perante a sociedade ele continua sendo uma liderança, quando chega em casa diante da família e diante da comunidade em que vive. Será que a mulher feminista persegue esse estereótipo do homem líder? Não, a mulher feminista luta por direitos iguais. No caso em questão não seria a mulher a ocupar todos os cargos de liderança mas o homem a deixar o seu cargo de liderança no seu trabalho e voltar para casa como homem e pai ou filho. Bem como reconhecer sua igualdade em relação a mulher inclusive criando oportunidades para que ela também chegue na liderança no seu local de trabalho, igreja e comunidade. Desse ponto de vista, fica claro porque as bruxas do seculo XXI se dizem netas e filhas de bruxas e continuam combatendo a igreja. Porque muito do papel atribuído a mulher é proveniente de dogmas religiosos. No entanto, de nada adianta uma mulher participar de grupos e círculos de mulheres se ela não fizer nenhuma mudança na sua forma de se relacionar em sociedade, na educação de seus filhos e filhas, promovendo o conhecimento e libertação.
