segunda-feira, 17 de maio de 2021

Os devaneios nossos de cada dia

     Escrevi esse texto há uns dois ou três anos atrás, hoje penso diferente em algumas coisas mais achei interessante publicar. Não quero ser mais aquela pessoa que “joga tudo fora”. Hoje eu acolho todas as partes de mim, leio com carinho a forma como eu via o mundo e me alegro por ter avançado no meu estágio de consciência. Segue o texto:

“Conhecendo como se deu o processo de formação de quem eu sou, eu consigo compreender também um pouco de como são as outras pessoas e de como todos nós formamos uma sociedade fria e carente, a mesma sociedade que me tirou a capacidade de expressar meus sentimentos, é essa que está formando cidadãos que nem sabem o que é cidadania, pessoas que não sabem o que é amor e que respiram dogmas, regras inquestionáveis, as quais só servem para distanciar uns aos outros.

É uma sociedade que se arrasta há vários séculos tentando provar algo que não precisa ser provado, o valor do ser humano, e cometendo tantos enganos, guerras, injustiças sociais e preconceitos, ela segue vazia e os mais jovens sem rumo se entregam ao mundo paralelo e fantasioso das drogas. E ainda outros, sem saber o que fazer com suas dores criam mecanismos para sobreviver nesse mundo onde cada um tem a sua verdade, mas algumas pessoas preferem acreditar que fazem parte de um grupo de escolhidos talvez porque seja mais fácil crer em algo consolidado do que construir aquilo que realmente faz sentido para si. Eu sei que dá trabalho, mas é importante não desistir.

 "A verdade liberta", sim, quem nunca experimentou a sensação de saber algo que facilitou sua vida? Acontece que todo conhecimento do mundo parece não ser suficiente para nos mostrar a verdade, será que se quer estamos preparados para conhecer esta verdade? Creio que não. Isso porque ainda estamos na fase de aprendermos a nos relacionar uns com os outros, talvez seja a fase mais importante da nossa evolução, talvez depois que vencermos essa etapa todas as outras terão apenas que fluir. E sim, é necessário alcançar a perfeição, porém ainda estamos longe de sermos perfeitos. Enquanto não existir transparência a sociedade não avançará, por isso a importância de conhecer a si mesmo para poder compreender a vida, as pessoas, o mundo.

Outro dia senti vontade de expressar minha opinião sobre o assunto, “Últimos dias” em uma página na internet, e então eu escrevi que embora eu ainda não tenha feito um estudo aprofundado sobre o assunto, tenho pautado meus conhecimentos sempre no fato de que não existem eventos mágicos, tudo pode ser explicado e o que ainda não tem explicação um dia terá, dentro da nossa capacidade de entendimento. Creio que a Terra obedecerá a seus limites naturais, mas irá chegar um momento que não haverá condições para vida humana aqui e nós continuaremos evoluindo em outros planos e planetas. A Terra terá seu fim quando o Sol tiver seu fim. No entanto, não é um fim real porque no universo todo fim significa um começo. Imagino que haverá muito sofrimento para os últimos a desencarnarem quando a Terra estiver superaquecida. Realmente o que vivemos se assemelha com a descrição de Jesus Cristo dos últimos dias, porque quanto mais a humanidade avança em conhecimento e tecnologia mais nós experimentamos a ansiedade de poder acompanhar esse momento. É uma evolução interessante quando paramos para pensar em tudo que a sociedade viveu e o que ela foi capaz de fazer em apenas um século, o século XX.

Eu nunca me senti a vontade para expor meus pensamentos porque sempre achei que poderia mudar de ideia e aquilo se tornar obsoleto, tanto que quando realmente queria expor não conseguia. Mas depois que descobri o que me impedia eu resolvi mudar isso e entre outras coisas gosto de demonstrar que para mim a vida também tem seu lado bonito. Na verdade o lado belo da vida era a única coisa que deveria ser. Uma das coisas que me faz muito feliz é saber que existem pessoas maravilhosas que fazem parte de quem eu sou, essas pessoas estão vivas dentro de mim e imprimem imagens vivas na minha consciência existencial. E eu gosto de ver minhas amigas bem, alguma coisa dentro de mim sorrir de ver minhas amigas lúcidas. Por outro lado uma luz se apaga por não ter notícias de algumas amigas e também porque alguma coisa me diz que nem tudo está bem com elas. E não me conforta saber que no final todos estamos destinados a felicidade. Não me conforta saber que o caminho as vezes pode ser tão tortuoso e sombrio.

Hoje escrevi um recado para o escritor Augusto Cury no site dele, eu falei o seguinte:“Sempre que estou triste lembro-me das suas palavras para ver se me sinto melhor. Agora mesmo lembrei-me de ler novamente o livro Superando o cárcere da emoção, pois não estou me sentindo muito bem. Sou uma pessoa que se cansa muito rápido das coisas e eu fico muito triste com isso. Fico feliz por você existir. Imagino que receba muitas bênçãos porque você tem muito crédito com Deus por ajudar tantas pessoas.”"

domingo, 16 de maio de 2021

Sobre a impermanência das coisas

 Durante toda a minha vida eu busquei ser uma pessoa melhor. Cometi muito erros, mas a maioria só prejudicou a mim mesmo. Lutei muito por pessoas que julgava valer a pena. Desisti de algumas. Minha ambição não era grande, eu trabalhava para pagar aluguel de onde eu morava com a minha filha, pagar a escola dela e o nosso plano de saúde. Nos anos 2000 eu pelo menos não me preocupava tanto com o preço dos alimentos, como acontece hoje em dia, com todo mundo com certeza, e não nos faltava nada. Enfim a minha causa era essa ter uma religião e sustentar minha filha. Ao longo do tempo minha filha cresceu e minhas causas foram se expandindo, primeiro meio ambiente, trabalhei muito na escola essa temática, inclusive com trabalhos práticos, depois política, comecei a compreender que tudo na nossa vida era decidido por ela e que eu não podia permanecer alheia. Meu campo de luta? As redes sociais. Mas sempre buscando novos saberes espirituais. Minha alma nunca estava saciada. Por fim o feminismo, diante de tudo que eu vivi era uma questão de lógica para mim, ser feminista. Passei a me questionar profundamente se eu realmente apoiava todas as causas feministas. E para que eu fizesse isso eu tive que questionar profundamente a origem das minhas crenças, mais do que isso, eu tive mesmo que questionar entendimentos que dava a impressão de já terem nascido comigo. Claro que nada disso foi movimentado dentro de mim do nada, uma série de acontecimentos envolvendo a minha filha vieram para expandir ainda mais minha compreensão da realidade que me circundava. Então, depois de uma longa discussão comigo mesma cheguei a conclusão que sim, eu apoiava todas as causas feministas. E assim como aconteceu com outras coisas na minha vida, quando eu chego em certo ponto que aquele assunto não tem mais nada a me agregar, eu deixo ele de lado. E assim foi também com as religiões pelas quais passei. Por uma questão de criação mesmo eu não consegui expandir uma característica da minha personalidade que aflorou na adolescência: uma atração irresistivel pela fantasia, coisas mágicas, exotericas. O universo infinito da espiritualidade e da espistemologia universal, as ciências ocultas que ninguém dá crédito, a não ser pessoas como eu. Com os mesmos anseios e inquietação pelas coisas que transcende o material. Tenho certeza que ao longo dos meus 37 anos devo ter espantado uma pessoa ou outra diante do meu desapego pelas coisas terrenas. Foi quando eu casei pela segunda vez que o desejo de possibilitar conforto aos nossos filhos ficou mais aflorado em mim. Mas nunca por mim. Sempre por elas, pelas pessoas que eu amo. Precisou eu entrar em conflito com essas mesmas pessoas para que eu entendesse o grito da minha alma para olhar para mim mesma. Com caridade, com complacência, sem cobranças, sem a pretensão da perfeição. Entendi que eu não aguentava mais me encaixar em determinados padrões para ser aceita e ainda assim não ser. Reconhecer que sempre haverá pessoas que me amarão pelo que sou e outras que me odiarão pelo mesmo motivo. Essa parte de ter pessoas que não gostavam de mim me doeu muito durante anos. Até eu aceitar que eu também não gosto de um monte de gente. Não desejo mal nenhum mas não gosto. Não sou a mulher mais linda, a melhor mãe, a esposa exemplar, e não menos importante a melhor amiga de ninguém. Primeiro porque eu nunca exigi exclusividade nas minhas amizades. Mas até das coisas que eu exigia, eu não recebi, o que tocou fundo no meu ego e me trouxe profundo sofrimento, e crescimento, e força. Não posso dizer que tenho perfeito entendimento da minha vida, de todos os porquês. E me sinto até feliz por isso. É nisso que reside a emoção de viver.