domingo, 13 de junho de 2021

A ridicularização do feminino no governo Bolsonaro

A figura chocante da pastora ultra conservadora que se tornou ministra da família, ministério criado no governo Bolsonaro foi a primeira demonstração de que tipo de representatividade feminina o governo prioriza. Mulheres inteligentes, empoderadas, que gozam dos mesmos direitos que os homens e tem ideias progressistas? Jamais!

O discurso pitoresco e retrógrado daquela que foi chamada para ser secretaria da cultura, órgão também criado pelo presidente depois de cancelar o ministério da cultura, uma espécie de relativização da representatividade da cultura no nosso país, cargo esse que teve a duração de 20 dias,  pois apesar da visão de mundo distorcida da realidade artística no país, a nova secretária pretendia trabalhar. E isso é uma coisa muito grave nesse governo, ninguém pode trabalhar de verdade em prol do que se representa, todos precisam trabalhar contra o que se está representando, esse é o fio da meada. Motivo pelo qual a ministra da família ainda continua no cargo. 

Não satisfeito, após o surgimento da pandemia eis que Bolsonaro vislumbra a figura perfeita para representar a medicina dentro do ministério da saúde. Uma funcionária do ministério que começou a falar oficialmente pelo ministério afirmando a eficácia do tratamento precoce, e que recentemente foi interrogada na CPI da COVID no senado, não sabendo responder qual a diferença entre um vírus e um protozoário.

Mas o quê essas mulheres tem em comum? A aparência um tanto exótica? A falta de conhecimento de causa para exercer funções governamentais? O discurso que oscila entre a distorção da realidade e a completa falta de noção da mesma?

Independente disso, uma coisa fica bem clara na escolha dessas representatividades femininas no governo bolsonaro, a evidente tentativa de redicularização do feminino perante a sociedade machista e misógina que ele pensa existir ou pelo menos está tentando construir. 

Felizmente o show de horrores desse governo está com os dias contados, e nem ele nem ninguém pode barrar o progresso das políticas públicas de igualdade de direitos entre homens e mulheres. No congresso nacional existem mulheres brilhantes que tem lutado bravamente fazendo oposição as propostas de leis absurdas desse governo, como o estatuto da gestante. 

E embora estejamos longe do ideal pois temos uma dívida para saldar, uma reparação que até hoje não foi feita, o fato de a única mulher eleita presidenta desse país ter sofrido impeachment pela maioria machista do senado, incluindo mulheres parlamentares, nunca perderemos a esperança, pois da mesma forma que a morte de Marielle Franco ajudou a eleger tantas mulheres deputadas e vereadoras no Rio de Janeiro, podemos afirmar que é só o começo para o resto do Brasil. 




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