sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sexta-Feira 13 e as mulheres bruxas

 Se tornou muito comum grupos de mulheres se auto intitularem bruxas nos tempos atuais. Essa postura aparece muito mais como uma provocação a igreja de modo geral mas especificamente à igreja católica por criar essa denominação a mulheres que utilizavam métodos naturais de curas. Esses métodos foram passados de geração em geração justamente por serem as mulheres as responsáveis pelo cuidado durante séculos. Porém Simone de Beauvoir esclarece (entrevista disponível no youtube) que as mulheres foram julgadas bruxas pelo patriarcado na figura da igreja que só possuía membros do sexo masculino, como até hoje em sua liderança, para que as mulheres não se apropriassem desse saber, no caso A medicina. E assim aconteceu durante séculos, a medicina sendo praticada e aceita apenas por pessoas do sexo masculino. Apenas no século XX paulatinamente as universidades foram abrindo uma espécie de cotas para mulheres que era inclusive vista com maus olhos por parte da sociedade. Muitos grupos de mulheres para fazer o resgate desse saber sentem que precisam regressar as suas raízes praticando rituais que remetem a mulher selvagem. Sendo a mulher selvagem justamente um arquétipo presente no inconsciente feminino de acordo com Clarissa Pinkola Estés


autora do livro Mulheres que correm com lobos, esses grupos ou círculos de mulheres visam resgatar não apenas a capacidade da mulher de se defender mas de se colocar diante do mundo. Particularmente eu acredito que a mulher perdeu a noção de qual é seu lugar na sociedade. Mesmo quando ela ocupa um papel de liderança em algum lugar na sua vida ela precisa se submeter. Para que você entenda o que estou falando, basta inverter os papéis. Mesmo que um homem ocupe um lugar de liderança seja no trabalho ou na igreja. Perante a sociedade ele continua sendo uma liderança, quando chega em casa diante da família e diante da comunidade em que vive. Será que a mulher feminista persegue esse estereótipo do homem líder? Não, a mulher feminista luta por direitos iguais. No caso em questão não seria a mulher a ocupar todos os cargos de liderança mas o homem a deixar o seu cargo de liderança no seu trabalho e voltar para casa como homem e pai ou filho. Bem como reconhecer sua igualdade em relação a mulher inclusive criando oportunidades para que ela também chegue na liderança no seu local de trabalho, igreja e comunidade. Desse ponto de vista, fica claro porque as bruxas do seculo XXI se dizem netas e filhas de bruxas e continuam combatendo a igreja. Porque muito do papel atribuído a mulher é proveniente de dogmas religiosos. No entanto, de nada adianta uma mulher participar de grupos e círculos de mulheres se ela não fizer nenhuma mudança na sua forma de se relacionar em sociedade, na educação de seus filhos e filhas, promovendo o conhecimento e libertação.  

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